Compliance

Como Iniciar um Programa de Compliance na Europa: Guia Prático em 10 Passos

26 de Dezembro de 2025

Estruturar um programa de compliance eficaz tornou-se um requisito essencial para organizações que atuam no mercado europeu. O fortalecimento dos mecanismos de integridade, a consolidação da EU Whistleblowing Directive e a crescente atenção das autoridades competentes exigem uma abordagem estruturada, preventiva e integrada à governança corporativa.

Este guia apresenta dez passos práticos para implementar um programa de compliance funcional, alinhado às expectativas institucionais e às melhores práticas internacionais.

1. Garanta o Compromisso da Alta Administração

Nenhum programa de compliance prospera sem o apoio explícito da liderança. O chamado tone at the top define se a integridade será um valor efetivo ou apenas um discurso institucional.

A alta administração deve demonstrar envolvimento ativo, assegurando recursos adequados, participando de formações, respeitando as políticas internas e comunicando de forma clara a importância do compliance para toda a organização.

Formalize esse compromisso por meio de políticas aprovadas pelo board, criação de comités de compliance e inclusão de critérios éticos na avaliação de desempenho da liderança.

2. Realize uma Avaliação de Riscos Estruturada

O contexto europeu exige uma abordagem baseada em risco. A identificação sistemática das vulnerabilidades é a base de qualquer programa de compliance eficaz.

Mapeie riscos por área e por atividade, incluindo riscos laborais, de assédio, corrupção, proteção de dados, sustentabilidade e riscos regulatórios específicos do setor e dos países onde a organização opera.

Classifique os riscos com base na probabilidade e no impacto potencial, documente a metodologia utilizada e reveja a matriz periodicamente ou sempre que houver alterações relevantes no negócio.

3. Desenvolva um Código de Conduta e Políticas Internas Claras

O Código de Conduta deve traduzir princípios éticos em comportamentos concretos, aplicáveis ao dia a dia da organização.

Inclua temas como conflitos de interesses, relacionamento com terceiros, uso adequado de recursos, confidencialidade da informação, prevenção de assédio e consequências em caso de incumprimento.

Complemente o código com políticas específicas e adaptadas ao contexto europeu, assegurando linguagem clara, acessível e disponível em formatos digitais para todos os colaboradores.

4. Implemente Controles Internos Eficazes

Políticas sem controles não mitigam riscos. Os controles internos são o elo entre a norma e a prática.

Assegure segregação de funções, alçadas de aprovação proporcionais ao risco, rastreabilidade de decisões e mecanismos de monitorização contínua. Sempre que possível, integre controles aos sistemas existentes para evitar burocracia excessiva.

Documente os controles, os responsáveis, a frequência de verificação e os indicadores de eficácia.

5. Invista em Formação e Comunicação Contínua

A formação é um pilar central do compliance na Europa, especialmente em temas como assédio, ética, proteção de dados e integridade corporativa.

Crie programas de formação ajustados aos diferentes perfis de risco, combinando e-learning, sessões presenciais e análise de casos práticos. A comunicação deve ser contínua e integrada à rotina da organização.

Registe participações, conteúdos e avaliações. A rastreabilidade da formação é essencial para demonstrar diligência em auditorias, apurações internas e eventuais solicitações das autoridades competentes.

6. Disponibilize um Canal de Denúncias Confiável

A EU Whistleblowing Directive reforçou a necessidade de canais internos de denúncia seguros, confidenciais e acessíveis.

Disponibilize múltiplos canais, como plataforma online, telefone e outros meios adequados à realidade da organização. Garanta confidencialidade, possibilidade de anonimato quando aplicável e proteção contra retaliações.

Soluções especializadas como o WhistleOn permitem centralizar a gestão de denúncias, apoiar a conformidade com a diretiva europeia e fortalecer a confiança dos denunciantes.

Comunique claramente a existência do canal, o seu funcionamento e as garantias oferecidas.

7. Estruture um Processo de Investigações Internas

Defina procedimentos formais para investigação de denúncias e irregularidades, assegurando imparcialidade, confidencialidade, direito de defesa e proporcionalidade.

Determine prazos, responsáveis, critérios de escalonamento e documentação obrigatória. Casos mais complexos podem exigir apoio externo especializado.

A aplicação consistente de medidas disciplinares, independentemente da posição hierárquica, é essencial para a credibilidade do programa.

8. Aplique Due Diligence a Terceiros

No mercado europeu, uma parcela relevante dos riscos de compliance surge na cadeia de valor. A due diligence de terceiros é um mecanismo preventivo essencial.

Avalie parceiros, fornecedores e intermediários quanto à reputação, histórico de sanções, estrutura societária, práticas laborais e alinhamento ético.

Inclua cláusulas contratuais de compliance e reavalie periodicamente os parceiros, tratando a due diligence como um processo contínuo.

9. Realize Auditorias e Monitorização Contínua

Estabeleça auditorias internas regulares com foco em compliance, priorizando áreas de maior risco.

Acompanhe indicadores como taxa de formação concluída, tempo de resposta a denúncias, resultados de investigações, incidentes reportados e eficácia dos controles internos.

Os achados devem resultar em planos de ação claros, com responsáveis definidos e acompanhamento até a resolução, mantendo evidências para auditorias e para eventuais solicitações de autoridades competentes.

10. Promova Diversidade, Inclusão e Cultura Ética

A diversidade fortalece a governança e reduz riscos associados ao pensamento homogéneo.

Implemente políticas de diversidade e inclusão, monitorize indicadores e assegure mecanismos eficazes para reporte e tratamento de discriminação e assédio.

Forme lideranças para reconhecer vieses inconscientes e promover ambientes onde o questionamento ético seja encorajado.

Conclusão: Compliance como Pilar de Sustentabilidade na Europa

O ambiente europeu exige programas de compliance sólidos, preventivos e integrados à estratégia do negócio, em linha com as expectativas das autoridades competentes.

Organizações que adotam uma abordagem estruturada fortalecem a confiança dos stakeholders, reduzem riscos legais e reputacionais e criam bases mais robustas para crescimento sustentável.

Compliance não é um projeto pontual, mas um processo contínuo de maturidade organizacional.

Com o WhistleOn, a sua organização conta com uma solução que apoia as exigências europeias para fortalecer a integridade, a transparência e a confiança.

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