Compliance

Tone from the Middle no Compliance: onde a cultura ganha tração real

25 de February de 2026

Porque é decisivo para a eficácia do programa de compliance

Num contexto europeu cada vez mais exigente em matéria de integridade, governação e reporte, o compromisso da liderança de topo continua a ser determinante. O chamado tone at the top traduz-se na definição de valores, na aprovação de políticas, na afetação de recursos e na afirmação clara de que a organização não tolera condutas ilícitas ou antiéticas.

Contudo, para que esse compromisso produza efeitos concretos, é necessário que exista coerência ao longo de toda a estrutura. É aqui que surge o tone from the middle.

Se o topo define a orientação estratégica, são as lideranças intermédias que asseguram a sua aplicação prática.

O que é o tone from the middle

O tone from the middle está relacionado com o comportamento, as decisões e a postura dos gestores intermédios, diretores de área, responsáveis de equipa e supervisores. São estas lideranças que acompanham diariamente os colaboradores, distribuem objetivos, avaliam desempenho e enfrentam riscos operacionais concretos.

Na prática, é neste nível que o compliance deixa de ser um princípio institucional e passa a ser um critério efetivo de decisão.

Em muitas organizações europeias, sobretudo em grupos multinacionais, é inviável que o conselho de administração ou a direção executiva intervenham nas decisões do dia a dia. Questões sobre conflitos de interesses, ofertas e hospitalidade, pressão para cumprimento de metas ou dúvidas relativas ao reporte de irregularidades são tratadas pelo gestor direto.

Se a mensagem do topo não for interiorizada e transmitida de forma consistente pelas lideranças intermédias, o programa tende a tornar-se formal e distante da realidade operacional.

O impacto na perceção dos colaboradores

Os colaboradores formam a sua perceção sobre a cultura organizacional sobretudo com base na atuação do seu superior hierárquico.

Se um gestor relativiza regras para atingir resultados, ignora comportamentos inadequados ou desencoraja o questionamento, a mensagem implícita é clara.

Por outro lado, quando a liderança intermédia:

  • reforça a importância das políticas internas
  • participa ativamente em formações de compliance
  • incentiva a utilização do canal de denúncias
  • reage de forma técnica e imparcial perante incidentes

contribui para consolidar a credibilidade do programa.

O tone from the middle molda a perceção do que é verdadeiramente valorizado na organização.

Compliance como critério de gestão

Um dos riscos mais comuns é tratar o compliance como responsabilidade exclusiva da função jurídica ou da área de ética e conformidade. Nesse cenário, os gestores intermédios tendem a encarar o tema como algo externo à sua função.

No entanto, a consolidação da cultura de integridade exige que o compliance seja integrado na gestão. Isto implica que objetivos, sistemas de incentivos e avaliações de desempenho considerem não apenas os resultados alcançados, mas também a forma como foram obtidos.

No contexto europeu, onde a Diretiva de Proteção de Denunciantes e outras obrigações regulatórias reforçam a necessidade de mecanismos internos eficazes, a atuação das lideranças intermédias assume um papel ainda mais relevante.

Sem formação adequada e alinhamento claro com os valores organizacionais, aumenta o risco de incoerência entre discurso institucional e prática quotidiana.

A ligação ao canal de denúncias

O tone from the middle influencia diretamente a confiança no canal de denúncias.

Os colaboradores apenas recorrem a mecanismos internos de reporte quando percebem que os seus gestores não toleram retaliações e tratam os casos com seriedade e imparcialidade.

Se um gestor desvaloriza um relato ou demonstra desconforto com investigações, o efeito é o silêncio organizacional. Pelo contrário, quando reforça que o reporte é legítimo e essencial para a proteção da organização, contribui para um ambiente de confiança e transparência.

A cultura constrói-se no dia a dia

A liderança de topo inicia o compromisso, mas é no quotidiano das equipas que a cultura se consolida.

Investir na capacitação das lideranças intermédias, estruturar formações direcionadas, alinhar critérios de avaliação e definir responsabilidades claras são medidas fundamentais para garantir que o compliance não permanece apenas ao nível declarativo.

O tone from the middle é o elo entre estratégia e execução. Sem ele, o programa existe formalmente. Com ele, a cultura de integridade ganha consistência e sustentabilidade.

Se a sua organização já dispõe de políticas internas, código de conduta e canal de denúncias, o próximo passo é assegurar que o tone from the middle no compliance está alinhado com a estratégia definida pela liderança de topo. Avalie se as suas lideranças intermédias estão preparadas para operacionalizar o programa, gerir dilemas éticos e incentivar o reporte seguro de irregularidades.

O WhistleOn apoia organizações em todo o mundo na implementação de canais de denúncia conformes com a legislação e na consolidação de uma cultura de integridade efetiva. Fale com a nossa equipa e descubra como reforçar o seu programa de compliance com soluções adaptadas à realidade da sua empresa.

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