Porque é decisivo para a eficácia do programa de compliance
Num contexto europeu cada vez mais exigente em matéria de integridade, governação e reporte, o compromisso da liderança de topo continua a ser determinante. O chamado tone at the top traduz-se na definição de valores, na aprovação de políticas, na afetação de recursos e na afirmação clara de que a organização não tolera condutas ilícitas ou antiéticas.
Contudo, para que esse compromisso produza efeitos concretos, é necessário que exista coerência ao longo de toda a estrutura. É aqui que surge o tone from the middle.
Se o topo define a orientação estratégica, são as lideranças intermédias que asseguram a sua aplicação prática.
O que é o tone from the middle
O tone from the middle está relacionado com o comportamento, as decisões e a postura dos gestores intermédios, diretores de área, responsáveis de equipa e supervisores. São estas lideranças que acompanham diariamente os colaboradores, distribuem objetivos, avaliam desempenho e enfrentam riscos operacionais concretos.
Na prática, é neste nível que o compliance deixa de ser um princípio institucional e passa a ser um critério efetivo de decisão.
Em muitas organizações europeias, sobretudo em grupos multinacionais, é inviável que o conselho de administração ou a direção executiva intervenham nas decisões do dia a dia. Questões sobre conflitos de interesses, ofertas e hospitalidade, pressão para cumprimento de metas ou dúvidas relativas ao reporte de irregularidades são tratadas pelo gestor direto.
Se a mensagem do topo não for interiorizada e transmitida de forma consistente pelas lideranças intermédias, o programa tende a tornar-se formal e distante da realidade operacional.
O impacto na perceção dos colaboradores
Os colaboradores formam a sua perceção sobre a cultura organizacional sobretudo com base na atuação do seu superior hierárquico.
Se um gestor relativiza regras para atingir resultados, ignora comportamentos inadequados ou desencoraja o questionamento, a mensagem implícita é clara.
Por outro lado, quando a liderança intermédia:
- reforça a importância das políticas internas
- participa ativamente em formações de compliance
- incentiva a utilização do canal de denúncias
- reage de forma técnica e imparcial perante incidentes
contribui para consolidar a credibilidade do programa.
O tone from the middle molda a perceção do que é verdadeiramente valorizado na organização.
Compliance como critério de gestão
Um dos riscos mais comuns é tratar o compliance como responsabilidade exclusiva da função jurídica ou da área de ética e conformidade. Nesse cenário, os gestores intermédios tendem a encarar o tema como algo externo à sua função.
No entanto, a consolidação da cultura de integridade exige que o compliance seja integrado na gestão. Isto implica que objetivos, sistemas de incentivos e avaliações de desempenho considerem não apenas os resultados alcançados, mas também a forma como foram obtidos.
No contexto europeu, onde a Diretiva de Proteção de Denunciantes e outras obrigações regulatórias reforçam a necessidade de mecanismos internos eficazes, a atuação das lideranças intermédias assume um papel ainda mais relevante.
Sem formação adequada e alinhamento claro com os valores organizacionais, aumenta o risco de incoerência entre discurso institucional e prática quotidiana.
A ligação ao canal de denúncias
O tone from the middle influencia diretamente a confiança no canal de denúncias.
Os colaboradores apenas recorrem a mecanismos internos de reporte quando percebem que os seus gestores não toleram retaliações e tratam os casos com seriedade e imparcialidade.
Se um gestor desvaloriza um relato ou demonstra desconforto com investigações, o efeito é o silêncio organizacional. Pelo contrário, quando reforça que o reporte é legítimo e essencial para a proteção da organização, contribui para um ambiente de confiança e transparência.
A cultura constrói-se no dia a dia
A liderança de topo inicia o compromisso, mas é no quotidiano das equipas que a cultura se consolida.
Investir na capacitação das lideranças intermédias, estruturar formações direcionadas, alinhar critérios de avaliação e definir responsabilidades claras são medidas fundamentais para garantir que o compliance não permanece apenas ao nível declarativo.
O tone from the middle é o elo entre estratégia e execução. Sem ele, o programa existe formalmente. Com ele, a cultura de integridade ganha consistência e sustentabilidade.
Se a sua organização já dispõe de políticas internas, código de conduta e canal de denúncias, o próximo passo é assegurar que o tone from the middle no compliance está alinhado com a estratégia definida pela liderança de topo. Avalie se as suas lideranças intermédias estão preparadas para operacionalizar o programa, gerir dilemas éticos e incentivar o reporte seguro de irregularidades.
O WhistleOn apoia organizações em todo o mundo na implementação de canais de denúncia conformes com a legislação e na consolidação de uma cultura de integridade efetiva. Fale com a nossa equipa e descubra como reforçar o seu programa de compliance com soluções adaptadas à realidade da sua empresa.


